Nossa História
HISTÓRICO DO GRÊMIO ESPÍRITA ALVES DE ABREU
A Associação Espírita Alves de Abreu tem como patrono espiritual à entidade que lhe empresta o nome “Antonio Alves de Abreu”, que nos ofereceu a seguinte biografia:
Nascido em pequeno Condado de Portugal, “Atraz aos Montes”, Condado este já não existente que dado à revolução do progresso foi desaparecendo ao longo do tempo.
Viera para a vida física aos 16 de Janeiro do ano de 1778, vindo a desencarnar aos 17 de Novembro do ano de 1856. Iniciou os estudos ainda na infância em pequena escola do “Condado”, encaminhando-se após para Lisboa, onde aos dezesseis anos entrou para uma escola mais elevada. Transferiu-se depois a “Região dos Açores”, entregando-se aos estudos para formar-se em Almirante de Navegação com vínculos a Marinha Mercante.
Inscreveu-se na Marinha com a idade de trinta e nove anos, pois que naquela época, nas terras portuguesas, o homem tinha sua emancipação após os vinte e cinco anos. Considerava-se que com idade inferior, eram os homens ainda de menor, submetidos às ordens paternas. Por serem muito católicos, seus pais manifestavam o desejo que Antonio Alves de Abreu se integrasse ao sacerdócio, enquanto que pelo gosto dos avós, deveria o mesmo ser militar.
Assim, sua vocação não fora nem ao sacerdócio, nem ao militarismo. Por ser dotado de espírito de aventuras, era muito pesquisador. Empregava seus momentos a desenhar caravelas e motivos marítimos, sendo por isso conduzido para a Escola Naval, onde se formou como Almirante. Seu desencarne se deu quando estando a serviço da Marinha, no mar Mediterrâneo, ele e toda tripulação, enfrentando a fúria das marés, perceberam ondas altíssimas abaterem a nave que por razões óbvias, sua construção não oferecia resistência, assim toda a tripulação morrera.
Não fora difícil ao espírito de Antonio Alves de Abreu aperceber-se do desencarne. A morte física não causou muita surpresa, pois que no exercício da tarefa, todos sabiam dos destinos de quem se põe a viver sobre as águas.
Com grande entristecimento pela tragédia espíritos portugueses os acolheram, encaminhando-os a uma entidade espiritual mesmo em Portugal, onde receberam todo tratamento de preparos e informações, isso naturalmente por possuírem o gozo da razão, por terem tido a intenção de serem criaturas formadas para o progresso, alimentando bondade nos corações, virtudes que levavam em si, pelo encaminhamento religioso que os pais lhes ministraram.
Antonio Alves de Abreu, encaminhado e aceitando os métodos da Palavra Espiritual, entrou logo em trabalho, vindo para as terras brasileiras como espírito em aprendizado, passou a integrar grupos que se deslocavam para todos os lados, levando as mais diferentes mensagens. Por não ter ainda o desenvolvimento necessário, se apresentava em grupos mediúnicos com palavras simples, humildes e singelas.
Motivado nesse labor, chegou às plagas marilienses encaminhando-se nas auras mediúnicas da médium, nossa irmã, Jovelina Domingues da Silva, iniciando um envolvimento simpático com a família que, unida a outros companheiros, motivaram o movimento crescente do grupo. Nesses carinhosos contatos, enquadrou-se também o confrade querido Manoel Pinto Ribeiro que por ser também português, as afinidades tornaram fácil a aproximação.
Com reuniões constantes e a participação sempre respeitosa de Antonio Alves de Abreu, com o desenvolvimento das atividades, o grupo entendeu-se em fundar um centro espírita.
Chegado aos entendimentos, criou-se à preocupação quanto à denominação para a nova casa. Assim, resolveram ouvir o espírito que já era considerado o grande mentor. Este, uma vez evocado, ouviu a proposta dos membros quanto à autorização para usarem seu nome, o que fora por ele aceito, colocando que gostaria então que fosse denominado “Grêmio Espírita Alves de Abreu”.
Foi grande a alegria, seguida de uma indagação: Por que Grêmio?
Porque em Portugal, Grêmio é uma associação, um clube, um grupo de pessoas dedicadas à caridade.
Em concordância e na seqüência dos andamentos, passaram para os preparativos e formalidades para a fundação do Grêmio, convocando uma assembléia para a efetuação como retrata a ata abaixo:
ATA DE FUNDAÇÃO DO “GRÊMIO ESPÍRITA ALVES DE ABREU”
Aos dias seis do mez de Junho do ano de hum mil novecentos e quarenta e nove, em Marília, Estado de São Paulo, à Avenida das Indústrias, nº. 80, reuniram-se as pessoas que subscrevem esta ata, em número de 18 (dezoito), com o fim de fundarem o “Grêmio Espírita Alves de Abreu”, cuja finalidade é a prática da Doutrina Espírita, conforme as obras de Allan Kardec, e o estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo. Assim sendo elegeram a primeira Diretoria, que deverá dentro do prazo legal, apresentar os Estatutos que deverão ser aprovados, e assim também, dirigir o Grêmio até o empossamento da Diretoria que regerá seus destinos de 1 de Janeiro de 1950 a 31 de Dezembro de 1950. A Diretoria eleita por aclamação foi a seguinte: para o cargo de presidente: Antonio Silva Meira; para o de vice-presidente: Jovelina Domingues da Silva; para o de primeiro secretário: Mário Ronigatti; para o de segundo secretário: José Ronigatti; para o de primeiro tesoureiro: Pedro Manzano; para o de segundo tesoureiro: João Rapado Júnior; para o de bibliotecário: Adalid Dominguez Júnior; e nada mais havendo para presente, eu secretário, “ad hoc”, assino a presente que vai por mim, digo, que foi por mim lavrada, Hélio Tavares da Costa, e em seguida a assinatura dos demais...
O Grêmio Espírita Alves de Abreu teve como sede os seguintes endereços: Av. das Indústrias, nº. 80; Rua 24 de Dezembro, nº. 1632; Rua Taquaritinga, nº. 212; e finalmente Av. Euclides da Cunha, nº. 152, no Bairro Somenzari, onde até hoje se localiza.
“Alicerçado no divino triângulo: Trabalho, Solidariedade e Tolerância, e sob os auspícios da Grande Espiritualidade, tendo como mentor Antonio Alves de Abreu, o Grêmio prosseguirá espargindo o doce perfume da Doutrina Codificada, na prática do Amor e da Caridade”.
Redação e Pesquisa: João Cêga Filho